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quarta-feira, 7 de março de 2012

Amamos estranho.

Não aguento mais ver formas de relacionamento amoroso tão esquisitas por aí e por aqui. A forma que se ama nessa sociedade é muito estranha! Entrar em um relacionamento é sinônimo de cobrança e limitação, ao invés de júbilo e liberdade! Não se ama os desejos dos outros, só porque não são todos voltados para si, mas deveriam ser aceitos só porque são desejos do outro, porque são o outro! Todo mundo quer mudar todo mundo, ninguém quer amar. Deveria-se amar a história, mas quer-se apagá-la! Todos querem que a história da vida do amado seja reescrita! Que amor é esse que não aceita a vida?! Isso é o amor?! É ego! É fragilidade! Somos todos frágeis demais e não amamos! Eu não consigo mais achar natural tanta limitação dentro do que se chama amor. Há tantas consequências... Há mentira, há sofrimento. Relaciona-se com imagens falsas que brigamos e esperneamos para que se mantenham como queremos! Isso é muito estranho e é o que acontece em todos os lugares! Como somos pequenos, medrosos, e amamos pouco. Como sofremos em formas de relacionamento duros e desgastados! E ninguém se pergunta se têm que ser assim? Tem que ser assim?! Já se perguntou se dá pra amar diferente? Por que tem que ter tanto sofrimento? Por que tem que ser como é?! Eu quero que isso mude geral, porque não quero que eu mesma caia nisso de novo. Eu não quero amar pouco! Quero amar muito!

Desabafei.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

A Perfeição do Banho

Estava agora pouco tomando banho quando me vieram várias idéias. Todo meu ritual atento de banho e pós-banho, com meus vários produtos de higiene e beleza, foram distraídos dessa vez. Comecei a ficar nervosa porque precisava escrever as tais idéias. São danadas, costumam vir nas horas mais impróprias: dirigindo, na hora de dormir, no banho, ... E já agora estou pensando tantas outras coisas que to com medo de perder o que eu pensei em primeiro lugar e deu início a isso. Eu tive idéias. Não gosto do que Deleuze fala sobre “ter idéias”, diz que são momentos raros e para poucos. Acho que a gente tem muitas idéias. Acho que o brasileiro tem muitas idéias. Não tenho idéias geniais, são idéias medíocres, mas são minhas idéias, são uns pensamentos. Como agora: saí do banho e tinha que escrever; o papel tá no meu quarto, em uma gaveta tapada pela cama onde a gringa tá dormindo. Peguei um jornal aqui pela sala mesmo. Peguei o primeiro jornal que vi que tinha mais espaço em branco. Acho que jornais deveriam ter mais espaço em branco, pra gente escrever quando tem essas idéias que não dão tempo de procurar papel. Da mesma forma que jornal, principalmente O Globo, é muito útil pra embrulhar coisa de quebrar e limpar bunda em emergência. Curiosamente, o caderno que eu peguei do jornal se chama “Boa Chance”. A capa tem bastante espaço pra rabiscar, mas acabei escrevendo por cima de tudo.
Pois então. De baixo do chuveiro me lembrei, com um pouco de saudade, de algo que não tinha ainda parado pra pensar: o modo como eu usava o corredor do meu antigo prédio. Onde morei vinte anos. De repente lembrei que quando eu queria ficar sozinha, já que eu não tinha meu próprio quarto, ia deitar no chão do corredor. E isso não era estranho pros meus vizinhos que às vezes passavam enquanto eu estava lá estatelada. Tínhamos certa intimidade, coisa de quem divide os mesmos corredores há anos. Os corredores eram pontos de encontros e paradas, mesmo tendo um playground super amplo. As mães paravam no corredor pra sentar, fumar (não tinha ventilação), e colocar as fofocas em dia. Eu brincava com as outras crianças no corredor, corria com a minha cachorra, e, mais tarde, conversava sobre meninos com as amigas. Fazíamos unha e derramávamos acetona no chão do corredor. A minha marca manchada de acetona está lá até hoje, acho eu. Tanta coisa acontecia naqueles corredores! Coisas até secretas. Secretíssimas! Coisas que eu só conto pro tipo de pessoa que eu pararia pra sentar e conversar no corredor. E outras que não contei a ninguém.
De repente comecei a sentir meu passado tão perfeito, e como perdemos de vista quanta perfeição reside no presente! De repente comecei a sentir tanta exatidão. Foi na hora desse devaneio de exatidão que, depois do banho, passei o creme errado na parte errada do corpo. Logo na hora da intuição-de-perfeição isso me acontece. Mas até o erro entrou na onda da perfeição. Senti que todo o erro, apesar de ser erro, é perfeito. Da mesma forma que o vento forte, com extrema exatidão, derrubou ontem meu quadro da parede, e o quadro caiu exato no chão. Nesse momento, pra mim, tudo o que está fora do lugar está exatamente. Me sinto bem com essa espécie de aceitação (o que não é o mesmo que comodismo, pois se o quadro cai, eu me levanto para colocá-lo no lugar que eu quero que esteja).
O corredor do meu prédio atual não tem o que o outro tinha, no corredor daqui eu só existo mesmo de passagem, sem intimidades com ele. Mas tem outro nível de perfeição, e talvez eu veja nele outros sentidos, do tipo que a gente só vê quando toma banho depois que o tempo passou.

sábado, 29 de outubro de 2011

Yasmim feito Manoel


Hoje eu passei o dia fazendo vento com vontade de tinta.
Eu queria ir pra beija-flor com cheiro de bouganville.
Fico feliz porque estamos todos lambidos de camaleão.
E, por fim, azuleio meus espinhos porque o horizonte espalhou.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Ruminar Estrelas



Eu queria escrever poesia em prosa. Como agora... sinto uma vontade extra-corpórea de colocar isso tudo que está no peito pra fora. No entanto, apenas consigo dizer que tenho muita poesia dentro de mim nesse exato momento. Eu poderia explodir. E explodiria estrelas. Mas prefiro senti-las. Escrever me faz perder certa potência do encanto. Preciso ruminá-las. Estou ruminando muitas estrelas. Tem muita beleza em mim sobrando nesse exato momento. Escrevo só pra isso que não tem como ficar guardado. Toda a delícia do mundo, que consegue caber em mim, eu segredo. Eu sinto, e choro. Eu sinto, e sorrio. Eu só sinto. Quanta perfeição circula em um suspiro?

domingo, 20 de fevereiro de 2011

As flores do meu caminho



Em virtude de coisas que me aconteceram, e que mexeram muito comigo, entendi algo muito importante. Eu estava andando no caminho errado. Eu caminhava até então rumo ao que eu não tenho. Ao invés de fortalecer o que já está comigo. Fazendo crescer o que se encontra no meu caminho, não preciso me perder em percursos longínquos, e atraio o que me falta. Decisão: não focar no que ainda não chegou, feito barata tonta, mas cuidar de tudo isso que me acompanha. As abelhas virão guiadas pelo pólen das minhas flores.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Sobre sentimentos e relações

     
       “Sabe quando a gente acorda um dia apaixonada por alguém?” Me disse uma amiga. Parei pra pensar, e isso acontece, ou acontecia, muito comigo. De repente tudo aquilo que alguém fez, falou, ganha uma carga afetiva diferente. De repente tudo muda. Vem de forma meio inexplicável, simplesmente a relação ganha outro sentido, faz todo sentido, ou, sentido nenhum. E daí, se prepare para uma montanha russa de sentimentos. Borboletinhas pelo corpo de todas as cores. A imagem que fazia parte do plano de fundo ganha destaque como ícone principal. É vontade louca de estar perto, às vezes só de ver, de saber o que o outro pensa, de querer que seja recíproco. Me desculpe, mas eu sou intensa. Vem junto da euforia o medo, o nervosismo, as expectativas. Delícia quando elas são correspondidas. O problema é: nem sempre as expectativas ganham a resposta desejada. Deve ser por isso que enjôo muito rápido das pessoas, crio muitas expectativas. As pessoas são cansativas, pois nunca são exatamente o que queríamos que fossem. Precisamos então sempre fazer um trabalho de aceitação, de aprender a ceder, ser mais flexíveis. Tornar-se flexível quando se é rígido, dói. Tem que ir dobrando, dobrando, forçando as arestas duras, até ficar mais maleável. É trabalhoso, mas é recompensador. A maioria dos meus grandes amigos, saberão eles agora, já me irritaram ou enjoaram em algum momento. Transformaram-se em grandes amigos porque conseguiram passar dessa fase de enjôo, quebra de expectativas, inicial. São grandes amigos, claro, antes de tudo, porque sintonizam bem comigo. Acho que quanto maior a sintonia, maior a expectativa para que ela aumente.
       O que fazer quando se precisa conviver com alguém que destoa de ti em muitos sentidos? Quando é, por exemplo, alguém de sua família: pai, mãe, irmão. Muitas vezes foi tentado um equilíbrio entre essas notas dissonantes, mas que não foi conseguido. Espera-se que as relações familiares sejam harmoniosas, mas pode acontecer de haver um choque de gigantes tão intenso, que seja difícil manter o bom relacionamento. Para piorar, há pessoas que não conseguem se manter ouvintes verdadeiras num diálogo, não estão dispostas a dobrar-se junto com o outro para haver melhor encaixe. O que fazer? Se alguém souber, me diga. Conversar não adiantou, a política de confronto também não. A solução que consigo vislumbrar é anular-se neste encontro. É difícil anular certos comportamentos, eles podem estar ligados estreitamente aos alicerces que constituem o eu. “Até cortar os próprios defeitos é perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.” - Clarice Lispector. Acho, no entanto, que às vezes é preciso se matar um pouco para não morrer. Segurar a respiração quando o ambiente é mau cheiroso (embora deixar de respirar seja fatal), enquanto caminha, para logo depois respirar livremente.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Novo Calor



Frio na barriga
Passa um arrepio
Essa espera que intriga
Meu quarto ainda vazio
Um jeito tão doce, boca tão rosa
Me dá uma sensação gostosa
É ventinho no pescoço
Mas também é furacão
Força de inverno, clima de verão
Linda, inteligente, cheia de vontade
Desejo que invade, fogo que me arde
Seu sorriso também é o meu abrigo
Mexeu comigo, mexeu comigo

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Sobre escrever



Gostei de escrever. Primeiro porque escrever é terapêutico, é um diálogo com nós mesmos, onde podemos organizar o mundaréu de vozes que ocupam a mente. Mas, apenas isto não me bastava, escrever era demasiado cansativo, já que organizar esta bagunça toda e transformar os pensamentos em um texto bom de ler dava um certo trabalho. Os comentários, no entanto, dos amigos funcionaram como reforço positivo. Percebi que o acolhimento, que sinto ao ler alguns autores foi o mesmo que senti ao me ler. Pensei, então, que posso aconchegar outras pessoas nos meus pensamentos, como Clarice Lispector, Manoel de Barros, Mario Quintana, fazem comigo. Claro que não se pode comparar a poética das palavras destes mestres às minhas, mas palavras são palavras, sentimento é sentimento, em qualquer lugar. Posso ajudar a fazer pensar, unindo meus pensamentos com os de outras pessoas. Um blog é bom pra isso, quem lê também participa e contribui comentando, se colocando.

Por que os escritores escrevem?

Adélia Prado
“Boa pergunta. É necessário que eu escreva, acho que é uma necessidade divina de mostrar a Sua face, o espírito quer ser adorado, ele quer ser visto. Deus precisa fatalmente de mostrar a Sua face e a arte é uma mediação para a divindade. Então, neste caso, tenho que ser dócil a este desejo divino. Não obedecer a isto é pecar, é um pecado capital, eu não sou dona disto, não posso falar: não vou escrever mais, isto seria o máximo do orgulho, então eu tenho que escrever.”

Millor Fernandes
“Escrevo porque escrevo, se me pagassem eu só falava”

Clarice Lispector
“Escrevo porque encontro nisso um prazer que não consigo traduzir. Não sou pretensiosa. Escrevo para mim, para que eu sinta a minha alma falando e cantando, às vezes chorando…”

“Escrever é procurar entender, é procurar reproduzir o irreproduzível, é sentir até o último fim o sentimento que permaneceria apenas vago e sufocador. Escrever é também abençoar uma vida que não foi abençoada”

“É preciso coragem. Uma coragem danada. Muita coragem é o que eu preciso. Sinto-me tão desamparada, preciso tanto de proteção…porque parece que sou portadora de uma coisa muito pesada. Sei lá porque escrevo! Que fatalidade é esta?”

"Enquanto eu tiver perguntas e não houver respostas continuarei a escrever."

“Escrevo por ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens."

Minhas desequilibradas palavras são o luxo de meu silêncio. Escrevo por acrobáticas aéreas piruetas – escrevo por profundamente querer falar. Embora escrever só esteja me dando a grande medida do silêncio."

"Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada... Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro...

Lya Luft
“Escrevo por uma lúdica paixão. Porque nasci para fazer isso. Porque me alegra, me diverte, me instiga — e me exaure. Porque tenho necessidade e prazer em elaborar com palavras esse traçado de tantas vidas, tantas criaturas, tantos destinos e aventuras que povoam minha imaginação, e que acabarão — ou não — vivendo nos meus textos. (...) Escrevo para seduzir leitores que sejam meus cúmplices na inquietação fundamental, na busca de entender o mundo — e jamais o entenderemos. E também escrevo porque desejo uma releitura dos valores familiares e sociais de meu tempo: cada um de meus romances pode e deve ser lido como uma denúncia da hipocrisia, da superficialidade, da indiferença, da negligência e da mentira nas relações humanas, amorosas, familiares e sociais. Os artistas são recipientes de carvões em brasa e têm visões que tentam esconjurar com traços, gestos, música ou palavras — e nesse trânsito entre realidade e sonho, cujas fronteiras para eles pouco importam, vão e vêm entre territórios que igualmente os convocam. Escrevo porque sou parte disso.”

Ferreira Gullar
“A resposta é a mais simples e óbvia: escrevo para me expressar”

Moacyr Scliar
“Escrevo movido por um impulso cuja natureza desconheço (e que não quero conhecer), o mesmo impulso que leva algumas pessoas a desenhar, outras a fazer música, outras a trabalhar a terra.

E, por fim:
"Somos todos escritores, só que alguns escrevem e outros não."
(José Saramago)

terça-feira, 29 de junho de 2010

A vida como arte



                Eu gosto da beleza. Temos o gosto pelo que é belo. Somos todos artistas. Aprendi na psicologia que arte é o que é produzido pelo desejo do indivíduo. Tudo o que é construído livremente por nós, livre das barreiras impostas pela sociedade, família, ou qualquer influência a que possamos nos submeter, é arte. “O que me surpreende é o fato de que, em nossa sociedade, a arte tenha se transformado em algo relacionado apenas a objetos e não a indivíduos ou à vida; que a arte seja algo especializado ou feito por especialistas que são artistas. Entretanto, não poderia a vida de todos se transformar numa obra de arte? Por que deveria uma lâmpada ou uma casa ser um objeto de arte, e não a nossa vida?” (FOUCAULT, no livro “Michel Foucault: uma trajetória filosófica. Para além do estruturalismo e da hermenêutica.” Pág. 261). Eu sou arte e a artista de mim mesma.
                Às vezes, no entanto, e com bastante freqüência, desejo ser arte aos olhos dos outros. Desejo ser admirada, desejo caber no ideal do que os outros tem de arte e beleza. Mas arte não é justamente um não-padrão? Arte é justamente a liberdade de construção de si, e não um encaixar-se no que deseja o outro. Ser belo é relativo, quando se é belo, se é sempre aos olhos de alguém. Pois eu já desejei muito ser bela aos olhos de todos, ou quase todos. Confesso que ainda tenho esse desejo louco. Acredito que a maioria de nós ainda vê a beleza segundo um modelo externo, um modelo de beleza construído por outros, pois o mundo em que estamos inseridos está aí a todo o momento para nos lembrar de quem deveríamos ser. Acaba que a maioria acha mais belo quem está mais em conformidade com o padrão. Já sofri por não me encaixar exatamente nisso. Quem se encaixa exatamente? Todos escapamos de alguma forma do padrão. Sempre tem um detalhe que não se encaixa. E aí queremos mudá-lo. Que loucura! Que droga ter que viver assim. Tem que se viver assim?
                Não, Yasmim, há outros modos de viver. Provavelmente nem todos vão me achar sensacional, mas por que eu quero que todos me achem sensacional? Eu hein. E dá-lhe terapia. Mas, resolvendo essa questão, partamos para a outra: há outros modos de lidar com o que somos para nós e para os outros. Eu opto por lutar e não me render a ser o que querem que eu seja, embora eu ainda não consiga isso sempre. Não é ser exatamente o contrário do que querem de mim, é ser simplesmente o que quero, o que dá, o que tem a ver comigo, mesmo que esse ser coincida até mesmo com o que querem de mim. Quer dizer, mesmo que você queira ter as características que fazem parte do padrão, que esteja consciente da sua escolha, e saiba, que em algum momento você não vai se encaixar neste padrão, e isso não tem que ser motivo pra frustração.
                Diversas pessoas ao longo da minha vida me elogiaram e me disseram coisas maravilhosas que tenho, o que admiram em mim. Mesmo assim, insisto, em algum momentos, em achar que não sou boa o suficiente pra alguns. Perda de tempo. Quanto tempo perdi observando defeitos aos olhos de alguns. Compreendi, no entanto, que tem pessoas que tem olhos que me enxergam. Tem pessoas que tem os óculos certos para ver a minha arte. Sei muito bem que posso ser bela, às vezes esqueço, mas tenho o grande presente de ser lembrada disso. Quem tem o olhar disciplinado pelo padrão provavelmente não vai me ver. Não é que todos os apreciadores da arte vão necessariamente gostar da minha arte. Mesmo quem tem liberdade no olhar pode não apreciar o que tenho, mas certamente alguns deles vão. Não que exista um eu mágico que apenas alguns verão. Cada um verá uma coisa diferente. Mas tem uns que só vêem o que já estão treinados a ver, e não a riqueza do que se tem a oferecer. Não deixe seu olhar perder a riqueza do que o outro tem. Não esqueça do quão rica você é. Gosto de quem me olha e me vê, mesmo tendo a própria interpretação da minha arte, mas me vê. Ao contrário dos que olham um quadro, e ao invés de apreciá-lo, vêem um espelho. Há muitas pessoas que não vêem o outro, não prestam atenção na relação com o outro, mas vêem apenas o que já está escrito no seu código de certo e errado, bonito e feio. “Metade da beleza das coisas está em quem as contempla” – meu pai me disse uma vez.
                É neste sentido que digo que não tenho um tipo preferido de pessoa. Não tenho um ideal de homem, não tenho um ideal de amigo. Embora eu saiba, claro, de algumas características que sei que não gosto. Mas mesmo assim, não me importo em quem você seja, contanto que consigamos estabelecer uma relação interessante. Relação interessante, para mim, é quando os partícipes dela se sentem bem juntos. Não tenho um tipo. Espero conhecer a pessoa e ver se a minha arte sintoniza com a arte dela. Se não sintonizar de cara, e houver vontade, damos um jeito de tatear nossas “almas” e descobrir em que ponto ficamos numa vibe mais próxima.
                Na vida o que há são encontros, como disse Spinoza, e como me lembrou uma nova amiga, uma nova obra de arte sintonizada. Se não nos conectamos agora, pode ser que nos conectemos depois, em outras vibes, em outros momentos, porque tudo muda. Quero, apenas, lembrar sempre que tenho algo de especial que pode fazer conexões fortes com algumas pessoas, e com outras não, mas isto faz parte.  

(Resolvi quebrar o protocolo que eu criei, e postar algo que eu mesma escrevi agora.  Não gosto muito de escrever, ainda. "Escrevo porque preciso" - Clarice Lispector).

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